quinta-feira, 17 de novembro de 2011

Hora do Lanche

Paulo Werneck

Estava em um vôo da Tam, "paixão por voar e servir", no início de um fim de semana que prometia - e cumpriu - ser excelente.

Início conturbado: resolver pendências; obter transporte para o aeroporto - táxis passando lotados; fazer o check-in; embarcar em cima da hora, estômago roncando, hora do almoço já vencendo - ainda cultivo esse hábito burguês das três refeições...

A bordo, revista "Tam nas Nuvens", jornal "Primeira Chamada", caramelos gentilmente distribuídos pela comissária. Bons ventos chegando.

Lendo a revista, fico sabendo que existe à venda no Brasil garrafas de uísque ao módico preço de dez mil reais.

Lendo o jornal, tomo ciência de que apenas três dos "Leading Hotels of the World" possuem restaurantes com três estrelas Michelin em suas instalações. Informação deprimente. Terei muito trabalho para planejar uma viagem de sonho nessas difíceis condições.

Começa o serviço de bordo. Não espero ser servido com uísque quinhentas estrelas, nem almoçar uma refeição gourmand, elaborada por um chef cordon-bleu: trata-se de um vôo doméstico de pouco mais de duas horas, se for descontada a meia hora em terra sem ar condicionado. Um bom sanduíche quente já estaria de bom tamanho.

Recebo então uma embalagem em cujo rótulo está escrito "Hora do lanche". Mas não é hora do almoço?


Não desesperemos! Posso ver perfeitamente o desenho de alguns cookies bastante apetecíveis, a embalagem é grande, deve conter muitos de,es, um sanduíche frio, talvez até mesmo um bombom! Há que esquecer o sanduíche quente, mas não é preciso perder a esperança...

Abramos e vejamos o que tem dentro. Tam tam tam tcham!


Que beleza! Um queijinho - 20g, quatro biscoitos salgados - 15g, meia fatia de bolo - 30g! Parecia estar na classe executiva rodoviária!

Além disso, senti-me ainda mais culpado. Não bastassem as emissões de CO2 das turbinas do avião, ainda foi produzido muito lixo plástico, para cada passageiro três embalagens individuais, uma bandeja e a embalagem exterior. Tudo para empacotar 65g de, digamos, alimento.

Ah, a revista mostrava diversas seleções musicais, até boas, mas os fones não embarcaram... Quantas voltas no caixão deve dar o saudoso comandante Rolim...

domingo, 9 de outubro de 2011

Brincadeiras de Crianças

Paulo Werneck>

Sandra Guinle: Cenas Infantis
Fonte: www.mac.usp.br

Hoje fui a uma festa infantil. Havia, como é comum hoje em dia, animadores para as crianças. Havia, como é extremamente raro, animadores respeitosos às crianças e, porque não dizer, aos adultos.

Em primeiro lugar, não usaram equipamento de som. As crianças ainda não são surdas e o morador do 23º andar não precisa ser obrigado a ouvir as músicas da festa. Além disso, os animadores, não usando microfones, ficaram mais próximos às crianças.

Em segundo lugar, estavam mais preocupados em brincar e fazer atividades com as crianças, algo muito distante da relação palco e platéia. Como objetos lúdicos usaram brinquedos artesanais, pequenos instrumentos musicais. Principalmente, não houve piadas de duplo sentido, nem qualquer grosseria, que estão ficando comuns. A gentileza foi a tônica da atividade.

Foi muito agradável observá-los trabalhar, interagindo com as crianças, e não ouvir nenhuma gritaria nem som alto. Os adultos também puderam conversar animadamente, num saudável convívio.

Finalmente, resta prestigiar a equipe, divulgando nomes e formas de contato. Trata-se da Pingos de Cor, Festas Infantils, de André Gilson e Rennata Feitosa. Telefone 21-8145-0289, e-mail pingosdecor@hotmail.com

sexta-feira, 7 de outubro de 2011

Apresentações extras de Dido e Enéias

Paulo Werneck

Assisti Dido e Enéias sexta-feira. Espetáculo com recur$o$ limitados, mas resultado mais que prazeroso. Lotado. A estréia também lotou. Haverá duas sessões extras, uma sábado e outra domingo. Os horários ficam sendo, no sábado, 19:30 e 21:00; no domingo, 17:00 e 18:30. Muita generosidade do elenco, tendo em vista que o intervalo para "descanso" será minimo e só receberão, pelo esforço extra, merecidas palmas. Sugiro chegar com antecedência pois as senhas de entrada evaporam.

sexta-feira, 30 de setembro de 2011

Ópera Barroca

Paulo Werneck

Este escriba tem suas preferências e delas não abre mão. Uma delas é a exímia flautista Laura Rónai, professora doutora, de muitos e variados talentos, quem irá dirigir a orquestra barroca da Unirio na apresentação da ópera Dido e Enéas, composta por Henry Purcell.

Acreditando no repto diga-me com quem andas, dir-te-ei quem és, só posso imaginar que os demais alunos e professores que apresentarão o espetáculo nada deixarão a desejar. Os incrédulos com esta rasgação de seda poderão ampliar a imagem acima, ler os nomes ali inscritos e só lhes restará me dar razão...

Para os apressados, ou com computadores e acessos lentos, informo que serão quatro apresentações, de 6 a 9 de outubro, uma por dia, às 19:30, exceto no domingo, quando será mais cedo, às 17:00, sempre no Teatro Paschoal Carlos Magno, Avenida Pasteur 436 fundos, Urca, Rio de Janeiro, RJ. A entrada é gratuita.

Encontrar-nos-emos lá.

domingo, 7 de agosto de 2011

Viajar de Trem

Paulo Werneck

Trem de passageiros da RFFSA estacionado em Cruzeiro
Fonte: http://cfvv.blogspot.com

A questão do trem bala está posta na mesa, mesmo pouco discutida, mas enquanto a sociedade se omite, o projeto avança, um belo dia pode ser implementado e então só restará sorrir ou chorar, conforme o gosto do freguês.

Neste momento estou contra, mas gente que respeito muito, como Miguel do Rosário, está a favor: veja Discutindo o trem-bala  no seu blog Óleo do Diabo.

Meu ponto, meio prosaico, é simples: saudade do trem noturno que ligava Rio e São Paulo (veja depoimentos em Do Fundo do Baú - Trem Noturno Rio-São Paulo).

A viagem era ótima, mas não se sabia o horário de chegada, podia ser cedo ou tarde, dependia de uma série de fatores, eis que a má conservação da linha, a sua não duplicação, o compartilhamento com trens de carga, etc, tudo influía.

Além disso as passagens, pelo menos nos fins de semana, tinham que ser compradas com antecência e exclusivamente na gare, enquanto as outras vias, aérea e rodoviária, as vendiam por diversos meios.

O trem era meio caído, mal conservado, mas mesmo assim muito romântico e confortável. Quando ainda haviam poltronas, eram imensas, nada a ver com os assentos dos ônibus, mesmo os ditos leito, menos ainda com as latas de sardinha voadoras, apelidadas de aviões.

As viagens foram encerradas e depois voltaram sob administração privada, que resolveu as vender num "pacote de sonho", jantar incluso: stroganoff! Ridículo. Noção completamente bizarra e desvairada do que venha a ser elegância. Não admira o fracasso da empreitada.


Roteiro do trem noturno, do verso da passagem
Fonte: fotolog.terra.com.br/outromundo:815%29

Basta ser feito o básico: manutenção correta da linha e das composições, o que permitiria aos trens trafegarem na velocidade máxima e garantiria conforto aos passageiros.

A distancia total, conforme vemos no mapa, é de apenas 474 km, o que exige menos de 120 km/h de velocidade para ser percorrida em quatro horas, e menos de 100 km/h para ser atingida em cinco, o que não deve ser difícil, sem engarrafamentos, sem sinal, sem paradas para lanche.

A certeza da chegada no horário, sem depender de teto (preocupação de quem vôa), a localização central das estações, eliminando engarrafamentos, e a duração da viagem adequada, podendo-se almoçar, lanchar, trabalhar, dormir, atrairia a preferência dos passageiros, sem o investimento requerido pelo trem bala.

Esses recursos poderiam ser aproveitados na expansão da rede ferroviária de passageiros, de modo a ligar pelo menos todas as capitais.

Em havendo escolha, trem bala em duas horas ou trem "popular" em cinco, preferirei o menos rápido, para apreciar a viagem e descansar. Talvez esteja ficando velho...