sexta-feira, 7 de outubro de 2011

Apresentações extras de Dido e Enéias

Paulo Werneck

Assisti Dido e Enéias sexta-feira. Espetáculo com recur$o$ limitados, mas resultado mais que prazeroso. Lotado. A estréia também lotou. Haverá duas sessões extras, uma sábado e outra domingo. Os horários ficam sendo, no sábado, 19:30 e 21:00; no domingo, 17:00 e 18:30. Muita generosidade do elenco, tendo em vista que o intervalo para "descanso" será minimo e só receberão, pelo esforço extra, merecidas palmas. Sugiro chegar com antecedência pois as senhas de entrada evaporam.

sexta-feira, 30 de setembro de 2011

Ópera Barroca

Paulo Werneck

Este escriba tem suas preferências e delas não abre mão. Uma delas é a exímia flautista Laura Rónai, professora doutora, de muitos e variados talentos, quem irá dirigir a orquestra barroca da Unirio na apresentação da ópera Dido e Enéas, composta por Henry Purcell.

Acreditando no repto diga-me com quem andas, dir-te-ei quem és, só posso imaginar que os demais alunos e professores que apresentarão o espetáculo nada deixarão a desejar. Os incrédulos com esta rasgação de seda poderão ampliar a imagem acima, ler os nomes ali inscritos e só lhes restará me dar razão...

Para os apressados, ou com computadores e acessos lentos, informo que serão quatro apresentações, de 6 a 9 de outubro, uma por dia, às 19:30, exceto no domingo, quando será mais cedo, às 17:00, sempre no Teatro Paschoal Carlos Magno, Avenida Pasteur 436 fundos, Urca, Rio de Janeiro, RJ. A entrada é gratuita.

Encontrar-nos-emos lá.

domingo, 7 de agosto de 2011

Viajar de Trem

Paulo Werneck

Trem de passageiros da RFFSA estacionado em Cruzeiro
Fonte: http://cfvv.blogspot.com

A questão do trem bala está posta na mesa, mesmo pouco discutida, mas enquanto a sociedade se omite, o projeto avança, um belo dia pode ser implementado e então só restará sorrir ou chorar, conforme o gosto do freguês.

Neste momento estou contra, mas gente que respeito muito, como Miguel do Rosário, está a favor: veja Discutindo o trem-bala  no seu blog Óleo do Diabo.

Meu ponto, meio prosaico, é simples: saudade do trem noturno que ligava Rio e São Paulo (veja depoimentos em Do Fundo do Baú - Trem Noturno Rio-São Paulo).

A viagem era ótima, mas não se sabia o horário de chegada, podia ser cedo ou tarde, dependia de uma série de fatores, eis que a má conservação da linha, a sua não duplicação, o compartilhamento com trens de carga, etc, tudo influía.

Além disso as passagens, pelo menos nos fins de semana, tinham que ser compradas com antecência e exclusivamente na gare, enquanto as outras vias, aérea e rodoviária, as vendiam por diversos meios.

O trem era meio caído, mal conservado, mas mesmo assim muito romântico e confortável. Quando ainda haviam poltronas, eram imensas, nada a ver com os assentos dos ônibus, mesmo os ditos leito, menos ainda com as latas de sardinha voadoras, apelidadas de aviões.

As viagens foram encerradas e depois voltaram sob administração privada, que resolveu as vender num "pacote de sonho", jantar incluso: stroganoff! Ridículo. Noção completamente bizarra e desvairada do que venha a ser elegância. Não admira o fracasso da empreitada.


Roteiro do trem noturno, do verso da passagem
Fonte: fotolog.terra.com.br/outromundo:815%29

Basta ser feito o básico: manutenção correta da linha e das composições, o que permitiria aos trens trafegarem na velocidade máxima e garantiria conforto aos passageiros.

A distancia total, conforme vemos no mapa, é de apenas 474 km, o que exige menos de 120 km/h de velocidade para ser percorrida em quatro horas, e menos de 100 km/h para ser atingida em cinco, o que não deve ser difícil, sem engarrafamentos, sem sinal, sem paradas para lanche.

A certeza da chegada no horário, sem depender de teto (preocupação de quem vôa), a localização central das estações, eliminando engarrafamentos, e a duração da viagem adequada, podendo-se almoçar, lanchar, trabalhar, dormir, atrairia a preferência dos passageiros, sem o investimento requerido pelo trem bala.

Esses recursos poderiam ser aproveitados na expansão da rede ferroviária de passageiros, de modo a ligar pelo menos todas as capitais.

Em havendo escolha, trem bala em duas horas ou trem "popular" em cinco, preferirei o menos rápido, para apreciar a viagem e descansar. Talvez esteja ficando velho...

sexta-feira, 25 de março de 2011

Ler Comer Ouvir

Paulo Werneck

Martin (bandoneón) & Josué (piano)

Meu programa de sábado costuma ser, quando posso, assistir um show de música - tango, jazz, choro - na Livraria Arlequim, entre livros, após degustar algo, certamente bebendo uma cervejinha ou um vinho.

O tango, meu preferido, costuma rolar no primeiro sábado de cada mes, algumas músicas comparecendo quase sempre, outras variando o repertório. Adiós Nonino, El dia que me quieras, Libertango são figuras marcadas, mas Cambalache, sempre atual, também já nos recordou os desatinos da moderna sociedade.

A livraria faz jus ao dístíco grafado em letras garrafais na parede sobre o bar: LER COMER OUVIR LER COMER...

Não só da venda de livros,CDs e DVDs, de um bar com serviço às vezes atrapalhado, mas sempre atencioso, nem de um show íntimo e agradável, que a livraria, já extensão do meu lar, é feita. Nela há sentimento, há respeito.

Na última vez que lá estive, em companhia de S., adentrou o recinto uma menina desgrenhada, menos de dez anos, vendendo chicletes. Não se comportou bem, nem o saberia fazer, não era da alta, e mesmo os abonados podem deixar muito a desejar. Não foi retirada aos safanões por um segurança brutamontes. Longe disso. Para cuidar do caso materializou-se um funcionário, dos mais jovens, que procurou contornar o problema, tentando evitar que a menina se comportasse de modo realmente prejudicial, mas tolerando, com infinita paciência, as pequenas, digamos, disfuncionalidades do comportamento dela.

O problema foi enfim resolvido quando alguém adquiriu todo o estoque de chicletes - seis - com o que a menina, sem ter o que fazer, apesar de ter sido convidada a ouvir o show, retirou-se de moto próprio, passando antes pelo caixa, onde trocou moedas e notas pequenas por outras de maior valor.

Ainda há civilidade neste planeta.

Eu gostava da Arlequim, agora a respeito muito mais.

domingo, 13 de março de 2011

Lope

Paulo Werneck
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Lope escrevendo, foto de Teresa Isasi
Fonte: saraivaconteudo.com.br

Sou um cinéfilo talvez muito medíocre enquanto cinéfilo. Amo, gosto, detesto os filmes, mas quase nunca me importo em saber quem os dirigiu ou interpretou.

Entretanto vejo a história, me alegro, enterneço, irrito, às vezes aprendo algo. Nunca como pipoca, odeio barulhos e interrupções. Para mim deveria haver só o filme, como uma realidade totalizadora, o mundo virtual tornando-se real e o mundo real, o da platéia, praticamente desaparecendo durante a exibição do filme.

Entretanto, graças à gentileza do Instituto Cervantes e do diretor Andrucha Waddington, assisti a palestra do mesmo sobre o filme Lope, na ocasião ainda não lançado no Brasil, com exibição do making-off.

Palestra emocionante, o diretor explicando algo do processo e tirando, com a maior paciência, as dúvidas da platéia. Relatou as dificuldades de locação (locais onde encenar), o que os obrigou a ir até o Marrocos, fornecedor também, a preços mais em conta, dos adereços de época - pratos, jarras, etc.

Outro ponto interessante é que a trilha sonora foi gravada ao vivo por uma orquestra: com o filme já montado, a orquestra tocou a trilha sonora inteira já sincronizada com o filme. Ou pelo menos foi isso que entendi da palestra do Waddington.

Infelizmente perdi a estréia, mas na primeira ocasião que tive assisti ao filme, que em nada deixou a desejar. Muitíssimo bom. Chega a ser engraçada a avaliação média - 6,3 - dos "críticos" do sítio "The Internet Movie Database". Parece que essa opinião não foi compatilhada pelo povo espanhol, que deu ao filme a terceira maior bilheteria de 2010...

O filme retrata um trecho da vida do poeta Lope de Vega (1562-1635) no início de sua vida adulta, desde o retorno da batalha da Ilha Terceira (havia se alistado na marinha) até seu desterro em 1588, mostrando desde cenas amorosas até de capa e espada. Lope era realmente uma figura, digamos, difícil para os padrões da época e ainda o seria hoje...

Depois, após pequena pesquisa, fiquei sabendo que Andrucha já havia dirigido o sutil e primoroso "Eu, Tu, Eles", um dos melhores filmes que já assisti.