domingo, 29 de setembro de 2024

FEBECONAPA - Serviço Quase Secreto

Paulo Werneck


O desgovernador anunciando a aquisição das viaturas
Fonte: BlueSky

Quero agradecer ao desgovernador do Rio de Janeiro por sua magnífica colaboração para o Festival de Besteiras que Continuam Assolando o País (FEBECONAPA), um humilde sucessor da obra do imortal Stanislau Ponte Preta, vulgo Sérgio Porto (ou seria o inverso?).

Eis que o referido político, aliado do inelegível, publicou nas redes sociais a aquisição, com o meu, o seu, o nosso dinheiro, de 38 veículos iguaizinhos, no modelo e na cor, destinados ao serviço secreto do órgãos de segurança.

Se o amigo leitor for contraventor, bandido, ou mesmo terrorista, ao avistar um veículo "descaracterizado" desses perto de si, facilite o trabalho da polícia: procure o condutor, peça que mostre a carteirinha de secreta e conte tudo o que sabe. Seja um bom cidadão.

Deixo uma sugestão: um uniforme para os secretas! Seria a cereja do bolo! Ou talvez um simples pin para a lapela, onerando menos os cofres públicos...

segunda-feira, 16 de setembro de 2024

O Caminhãozinho Vermelho

Paulo Werneck

Este caso ocorreu há mais de 60 anos no consultório do famoso médico foniatra, dr. Pedro Bloch, também jornalista, compositor, poeta, dramaturgo, o que não vem ao caso. O que nos interessa é o que se passou em uma consulta específica.

A mãe, após levar o filho, que não falava, a diversos pediatras, os quais não encontraram nenhuma razão fisiológica para tal, acabou apelando para o acima citado doutor, ao que parece na época considerado uma sumidade.

Segundo o relato da mãe, ela entrou no consultório, acompanhada do petiz, deu os bons dias, dirigiu-se para uma das cadeiras dispostas à frente da escrivaninha do clínico e chamou o garoto para sentar-se na cadeira vizinha. Era uma época em que as mães gostavam de ter seus filhos comportados, olhando com os olhos, sem fazer estrepolias.

O terapeuta, entretanto, todavia, contudo, disse que deixasse o menino à vontade, abriu uma grande gaveta lateral da escrivaninha, lotada de brinquedos, e pediu à mãe que espusesse o problema.

Entretanto o guri, atraído pelos interessantes objetos que se amontoavam na gaveta, ficou lá parado, sem mexer em nada, claro, mas também sem se afastar daquele tesouro.

Médico e mãe conversando, de repente o médico pargunta ao paciente:

- Qual você quer?

Imediatamente o pirralho responde:

- O caminhãozinho vermelho.

A mãe, assombrada. O médico, impávido:

- Sua mãe trouxe você dizendo que você não fala. Porque você fica calado em casa?

Resposta, na lata:

- Porque não tenho nada para dizer.

O doutor Pedro Bloch publicou vários livros, como “Criança diz cada uma”, mas não sei se registrou este caso para a posteridade. Se não o fez, faço-o agora.

quarta-feira, 11 de setembro de 2024

FEBECONAPA - Os Super Heróis

Paulo Werneck


"Patriotas" na Zona Sul da Cidade Maravilhosa
Fonte: colaborador deste blog.

Continuando o trabalho de Stanislaw, e com a inestimável colaboração de leitor do blog, que amavelmente enviou a fotografia que o ilustra, mais uma para o Festival de Besteiras que Continuam Assolando o País (FEBECONAPA).

Estava previsto uma anotação sobre o nosso querido VLT, o famoso Veículo Leve (?!?) sobre Trilhos, mas esse comentário terá que esperar. Um valor mais alto se alevantou...

O movimento político já nos brindou com comunicação com extraterrestres, oração a pneu, a incrível carona na frente do caminhão, mas o blog estava hibernando e essas pérolas não foram incorporadas ao FEBECONAPA, apesar de terem feito por merecer.

Mas o povo não deixa a peteca cair, a criatividade não se deixa amordaçar, e temos esses dois cidadãos de bem defendendo Deus, Pátria, Família e Liberdade.

Quanto a Deus, neste país podemos praticar qualquer religião, há igrejas, templos, mesquitas, sinagogas, terreiros, mosteiros budistas, a escolha é livre.

Quanto a família, ela vai bem obrigado, com muitas configurações, o problema é conseguir sustento e moradia, mas isso é detalhe.

Quanto a liberdade, é plena. Podemos até nos vestir de palhaço e circular pela cidade sem sermos incomodados.

A dúvida fica na pátria. A que pátria se referem?

Será que esses dois cidadãos de bem são estrangeiros? Pois o Capitão América é ianque... Deveriam talvez escrever God, Homeland, Family, Liberty, mas talvez sejam tão gentis que preferiram traduzir a mensagem, para facilitar nossa compreensão.

Ou será que são brasileiros confusos que pensam que aqui é colônia dos EUA?

sábado, 24 de agosto de 2024

Este trem não mais fará serviço de passageiros

Paulo Werneck

Vagões "Le Brugeoise" centenários do Metrô de Buenos Aires
Fonte: Wikipedia

Faz tempo que não escrevo neste blog. A última postagem tinha relação com o Festival de Besteiras que Assola o País (FEBEAPA), do saudoso Stanislaw Ponte Preta.

Reativo o blog com outra postagem sobre o mesmo tema, pois o que não falta é besteira em nosso país.

Quem frequenta o metrô carioca, talvez o mais curto do mundo, pode ter reparado que uma linha tem como ponto final (ou inicial) a estação Botafogo. Outra linha passa por Botafogo e segue em direção a Copacabana, Ipanema, Leblon e eventualmente chega à Barra da Tiuca.

Mas, como afirmei, o ponto final dessa linha é Botafogo e, portanto, todos os passageiros devem desembarcar.

O que é dito aos passageiros?

Esse trem não mais fará serviço de passageiros.
Desembarque obrigatório.

Se o trem não mais fará serviço de passageiros, o que acontecerá com ele? Fará serviço de cargas?

Não é o caso. No Rio de Janeiro, muito antigamente, havia bondes, que o Carlos Lacerda, em vez de resolver o problema dos carros invadirem os trilhos e tumultuarem o serviço, preferiu acabar com o serviço e importar ônibus elétricos usados que acabaram sendo também retirados de circulação.

Estou tergiversando. Falei dos bondes porque entre os vagões de passageiros também havia vagões de carga. Nunca os vi, mas existiram.


Bonde de bagagem, "caradura" ou "taioba"
Fonte: riomemorias.com.br

No metrô carioca não há trens de carga.

Então, se os tais trens não mais farão serviço de pasageiros, nem serviço de cargas, podemos concluir que serão tirados de circulação, desmontados, transformados em sucata...

É incrível que no subsolo, ali pertinho da estação, exista um centro de desmanche de trens e também, claro, uma fábrica de trens usados, pois logo que um trem termina sua última viagem, é produzido um outro, para seguir na direção contrária...

Não seria mais econômico, em vez de terem esse trabalho todo, simplesmente dizer:

Ponto Final.
Desembarque obrigatório.

Então o trem poderia simplesmente inverter a direção, e continuar sua vida útil, fazendo serviço de passageiros...

Ah, e como os trens são desmontados, daqui a décadas não haverá nenhum para ser restaurado, como fez o metropolitano de mi Buenos Aires querida.

sábado, 26 de novembro de 2016

FEBECONAPA - Luvas

Paulo Werneck

Breakfast at Tiffany's with Audrey Hepburn

Há muito tempo deixou de ser dada publicidade ao Festival de Besteiras que Assola o País (FEBEAPA), por não mais estar entre nós o saudoso Stanislaw Ponte Preta.

Todavia, o fato do escrivão ter passado desta para melhor não impediu que as besteiras continuassem sendo produzidas aos borbotões, faltando apenas um escriba para lhes dar a devida publicidade.

Sei que não estou à altura da ponderosa missão, mas à falta de quem a assuma, procurei fazer os meus melhores esforços para ocupar esse vazio, publicando, de vez em quando, algumas besteiras das que mereçam ser registradas no Festival de Besteiras que Continuam Assolando o País (FEBECONAPA),

Para abrir tão importante festival, uma pseudo conquista da higiene: as luvas.

Como qualquer mortal pode verificar, padeiros, cozinheiros e até mesmo vendedores de comida estão usando luvas, por determinação parece-me da Vigilância (?) Sanitária e de fregueses preocupados com a própria saúde, que procuram evitar contaminação.

Certamente nem uns nem outros seguiram o exemplo de minha sábia progenitora, que considerava um pouquinho de sujeira como necessário ao desenvolvimento de anticorpos, ao ponto de a batizar com o sonoro apelido de Vitamina S,

Voltemos às luvas: para que servem elas? A quem elas protegem?

Certamente aos que as utilizam. A enfermeira, ao vestir a luva, não está protegendo a saúde do paciente, mas a dela própria, para não ser contaminada por nenhuma secreção contagiosa do paciente.

Um lixeiro, ao utilizar as luvas, está se protegendo, de forma semelhante, de ser contaminado por algum resíduo que possa estar no lixo que recolhe, além, é claro, de evitar sujar excessivamente suas mãos.

E o padeiro? Estaria se protegendo de alguma substância contaminante do pão fresquinho e cheiroso que acabou de fazer, e que os clientes irão ingerir? Certamente que não. Estaria ele protegendo os cliente da sua própria contaminação? Também não, afinal ele deverá lavar regularmente as mãos com água e sabão, como determinam as normas de higiente para profissionais do fogão.

Não protege ninguém de nada. Com aquela luva ele toca em tudo que está na padaria, levando eventuais agentes infecciosos (que não devem existir, estando a cozinha devidamente limpa) de um lado para outro,enquanto as mãos do trabalhador ficam desconfortavelmente quentes e húmidas, o ambiente mais propício para a proliferação de bactérias...

Diga, Stanislaw, essa besteira foi suficientemente idiota para inaugurar o novo festival?

sábado, 19 de novembro de 2016

O Fim do Direito

Paulo Werneck

Quadraro: Morte da Justiça
Fonte: quadraro.deviantart.com

Quando um juiz, um promotor ou um policial infringe a lei, ele torna-se passível de punição, a ser avaliada em um julgamento administrativo ou judicial, no qual deveria ser levada em consideração a existência de dolo e demais fatores relevantes ao caso. O ilícito, em princípio, é de menor importância - errar é humano. Não somos perfeitos.

Todavia quando há uma sequência de erros na mesma direção, quando juízes, promotores, procuradores ou policiais sistematicamente ultrapassam os limites do Direito alegando defender a Justiça, pior, quando os meios de comunicação e os cidadãos passam a ver esses desvios de conduta como fatos normais e positivos, estamos frente ao fim do Direito, estamos caminhando para a barbárie.

Não defendo o roubo. Mas entre um ladrão (ou melhor, um suspeito de ser um ladrão) e um policial que o algema a uma lata de lixo (como ocorreu recentemente) minha indignação se volta antes contra o policial que cometeu esse abuso que contra o próprio ladrão.

O caso é que o policial deveria estar defendendo a lei, é pago pela sociedade para defender a lei, passou em um concurso onde teve que mostrar que conhecia a lei. Mas mesmo tendo o dever de defender a lei, mesmo sendo pago para defender a lei, mesmo tendo demonstrado que conhece a lei, desobedece a lei assim como o ladrão. Os dois desobedecem a lei. Não podemos bater palmas para nenhum dos dois.

Uma pessoa que concorda com o tratamento degradante cometido pelo policial contra o ladrão, está fazendo apologia da ilegalidade, pois o ordenamento jurídico brasileiro não prevê tal pena aos bandidos, e mesmo as penas só podem ser aplicadas em sentença proferida após o devido processo legal, que, por óbvio ainda não ocorreu.

Não poucas vezes a prisão se dá de forma espetaculosa, mas a autoridade policial faz uma coleta de provas mais que deficiente, o que propicia depois a não condenação do preso, em detrimento da Justiça.

No campo político, estamos assistindo a um espetáculo circense, pessoas sendo presas por razões estapafúrdias, conduzidas sob forte aparato policial, eventualmente retiradas de hospitais, condenadas de plano pela imprensa, desonradas sem dó nem piedade.

Podem ser culpadas? Claro que podem. Existem indícios pesados contra algumas? Existem. Foram julgadas e condenadas? Não. Muitas vezes nem a petição inicial foi apresentada.

Mas parece que parte da população está aplaudindo ao ver seja os políticos que desaprovam, seja qualquer político (afinal nenhum presta, pensam) sendo achincalhados e batem palmas.

Qual a diferença da situação atual para o Terror da Revolução Francesa, salvo que a guilhotina não está em funcionamento?

Tristes tempos em que as pessoas são condenadas antes de serem julgadas, e em que pessoas comemoram a prisão de outras, até com fogos de artifício. Podemos (e devemos) querer que os criminosos sejam punidos, mas não há o que comemorar com a prisão dos outros.

domingo, 27 de março de 2016

Análise Jurídica do Pedido de Impedimento da Presidente da República

Paulo Werneck

Fonte da Justiça (deusa romana) em Frankfurt
Fonte: Wikipedia

Muito se fala sobre a desejabilidade e a possibilidade de impedimento da Presidente da República. Todavia pouco se fala dos fatos que poderiam ensejar tal impedimento. Este artigo procura analisar se os fatos imputados à Presidente são passíveis de embasar tal punição.Inicialmente há que considerar o que está determinado pela Constituição Federal, a lei maior.

O impedimento será a consequência da condenação por cometimento do crime de responsabilidade, conforme o artigo 86.

O crime de responsabilidade está previsto no artigo 85:
Art. 85. São crimes de responsabilidade os atos do Presidente da República que atentem contra a Constituição Federal e, especialmente, contra:
I - a existência da União;
II - o livre exercício do Poder Legislativo, do Poder Judiciário, do Ministério Público e dos Poderes constitucionais das unidades da Federação;
III - o exercício dos direitos políticos, individuais e sociais;
IV - a segurança interna do País;
V - a probidade na administração;
VI - a lei orçamentária;
VII - o cumprimento das leis e das decisões judiciais.
Todavia seu parágrafo único estabelece que a definição desses crimes fica a cargo de lei especial, no caso a Lei nº 1.079, de 10 de abril de 1950, observando-se que, conforme o parágrafo 4º do artigo 86, o Presidente da República, na vigência de seu mandato, não pode ser responsabilizado por atos estranhos ao exercício de suas funções.

Da leitura dos dois artigos, portanto, fica claro que acusações à Presidente tendo como base eventuais decisões que tenha tomado referente à aquisições feitas pela Petrobras, por mais injustas que possam ter sido, se efetivamente o foram, não podem jamais ser consideradas como crimes de responsabilidade, não apenas porque teriam sido tomadas como membro do Conselho Diretor da Petrobrás, mas também porque não foram tomadas no exercício do seu mandato.

Resta agora verificar se existe alguma ação ou omissão da Presidente que possa caracterizar crime de responsabilidade, ou seja, se descrita na Lei nº 1.059/1950.

Antes porém cumpre ressaltar que a Constituição estabelece, como cláusula pétrea, que não há crime sem lei anterior que o defina (artigo 5º, inciso XXXIX). Assim, o comportamento dito como criminoso tem que estar especificado claramente na referida Lei nº 1.059/1950, que não pode ser ampliada para atender aos desejos de quem quer que seja.

As definições constam dos artigos 5º a 10 e 12. O artigo 11 refere-se a “crime contra a guarda e legal emprego dos dinheiros públicos”, não mais capitulado como crime de responsabilidade pela atual Constituição, posterior a essa lei, e portanto não foi recepcionado pela Constituição de 1988, ou seja, não tem validade.

Quando à denúncia ofertada contra a Presidente da República, o cerne da acusação reside no parágrafo:
Os ora denunciantes, por óbvio, prefeririam que a Presidente da República tivesse condições de levar seu mandato a termo. No entanto, a situação se revela tão drástica e o comportamento da Chefe da nação se revela tão inadmissível, que alternativa não resta além de pedir a esta Câmara dos Deputados que autorize seja ela processada pelos crimes de responsabilidade previstos no artigo 85, incisos V, VI e VII, da Constituição Federal; nos artigos 4º., incisos V e VI; 9º. números 3 e 7; 10 números 6, 7, 8 e 9; e 11, número 3, da Lei 1.079/1950.
Daí se depreende que ela está sendo acusada de crimes contra a probidade na administração; a lei orçamentária; e o o cumprimento das leis e das decisões judiciais. Examinemos um por um.
não tornar efetiva a responsabilidade dos seus subordinados, quando manifesta em delitos funcionais ou na prática de atos contrários à Constituição (Lei 1.079, art. 9º, 3).
A Presidente é efetivamente responsável tornar efetiva a responsabilidade dos seus subordinados, mas apenas quando MANIFESTA a prática dos delitos.

Todos os servidores públicos da administração direta são indiretamente subordinados à Presidente da República, assim como ocorre nas empresas privadas, mas não pode o titular do cargo mais elevado acompanhar as ações de todos os servidores ou funcionários, havendo para isso uma estrutura hierárquica, com uma cadeia de chefia e subordinação, cada chefe responsável pelo controle das ações dos seus subordinados imediatos. Além disso as organizações recorrem a corregedorias, apoiadas por ouvidorias, com o duplo fim de permitir que as críticas sejam ouvidas e as ações delituosas punidas.

Carece a representação de indicar que condutas manifestas não foram responsabilizadas pela Presidente.
proceder de modo incompatível com a dignidade, a honra e o decôro do cargo (Lei 1.079, art. 9º, 7);
Nenhum caso foi elencado, salvo considerarem os autores da denúncia que o cometimento de outro crime tem o condão de tornar o agente também responsável por este.
ordenar ou autorizar a abertura de crédito em desacordo com os limites estabelecidos pelo Senado Federal, sem fundamento na lei orçamentária ou na de crédito adicional ou com inobservância de prescrição legal (Lei 1.079, art. 10, 6);

deixar de promover ou de ordenar na forma da lei, o cancelamento, a amortização ou a constituição de reserva para anular os efeitos de operação de crédito realizada com inobservância de limite, condição ou montante estabelecido em lei (Lei 1.079, art. 10, 7);

deixar de promover ou de ordenar a liquidação integral de operação de crédito por antecipação de receita orçamentária, inclusive os respectivos juros e demais encargos, até o encerramento do exercício financeiro (Lei 1.079, art. 10, 8);

ordenar ou autorizar, em desacordo com a lei, a realização de operação de crédito com qualquer um dos demais entes da Federação, inclusive suas entidades da administração indireta, ainda que na forma de novação, refinanciamento ou postergação de dívida contraída anteriormente (Lei 1.079, art. 10, 9)
Este conjunto de artigos foram invocados tendo como pressuposto que certas operações foram criminosas, por não previstas previamente no Orçamento, sem atentar para o fato que todas foram aceitos pelo Congresso Nacional, pela edição de leis orçamentárias que os tornaram legais, mesmo que eventualmente quando da autorização inicial estivessem não previstos pela legislação.
Não tenho conhecimento de Contabilidade nem de Finanças para adentrar uma discussão técnica sobre a caracterização de cada operação quanto à legalidade. Entretanto, mesmo que efetivamente tenham sido ilegais, deixaram de o ser por posteriores leis aprovadas pelo Congresso Nacional.

É basilar que legislação posterior é aplicada a fatos anteriores sempre que isso resulta em benefício para o réu. Não há como caracterizar como criminosas operações que se antes o fossem, lei posterior as tornou legais.

É o que está expresso no artigo 2º do Código Penal: “Ninguém pode ser punido por fato que lei posterior deixa de considerar crime, cessando em virtude dela a execução e os efeitos penais da sentença condenatória. A lei posterior, que de qualquer modo favorecer o agente, aplica-se aos fatos anteriores, ainda que decididos por sentença condenatória transitada em julgado.
contrair empréstimo, emitir moeda corrente ou apólices, ou efetuar operação de crédito sem autorização legal (Lei 1.079, art. 11, 3).
Conforme já explicado acima, o artigo 11 não foi recepcionado pela Constituição Federal, eis que o artigo 85 não prevêr crimes contra a guarda e legal emprego dos dinheiros públicos.

Por óbvio, critérios como popularidade, pesquisas de opinião e que tais devem ser utilizados, sim, mas pelo eleitor quando for convocado às eleições. Tentar fazer apear da Presidência da República o seu ocupante eleito pela população por motivos falaciosos e interpretações fluidas é apenas GOLPE.

Fontes:

Constituição Federal:
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/ConstituicaoCompilado.htm
Lei nº 1.079, de 10 de abril de 1950:
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L1079.htm
Código Penal:
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto-lei/Del2848compilado.htm
Íntegra da Denúncia:
http://www.zerohora.com.br/pdf/17802008.pdf

quinta-feira, 15 de outubro de 2015

Aprender línguas e outras cositas más...

Paulo Werneck

Há algum tempo utilizo o Memrise, site gratuito, excelente para o aprendizado de línguas, mas não só.

A ideia por trás é bem antiga e tradicionalmente usada em países anglo-saxões: os memory cards, cartões usados para memorizar pares tais como palavras e suas respectivas traduções, países e suas capitais ou o que seja.

A vantagem dos cartões sobre as listas é que podem ser descartados aqueles cujas respostas acertamos, de modo a mantermos o esforço focado em decorar o que ainda não memorizamos, sem o desperdiçarmos com o que já gravamos.

O Memrise simplesmente automatiza o processo, armazena e torna disponível as listas elaboradas por inúmeros colaboradores, bem como eleva os "cartões" a novos patamares, com som, imagem e vídeos!

Há muito tento aprender Latim, sempre sem sucesso, pela dificuldade em decorar as palavras, sem ter com quem conversar. Agora estou estudando por um livro (Wheelock's Latin) cujo vocabulário foi colocado no Memrise, inclusive com som,  por uma alma caridosa.

O melhor de tudo é que podemos baixar o curso para o celular em três passos:

Primeiro: baixar o aplicativo. Se não souber como, procure um jovem ou uma criança que o problema será resolvido...

Segundo: fazer o login no Memrise com sua identidade e senha. Com isso aparecerão no celular os cursos em que está matriculado.

Para estudar será necessário estar conectado à Internet, mas tem o pulo do gato...

Terceiro: clicar sobre os três pontos à direita de "CONTINUAR", na última linha do curso, o que fará abrir uma janela com a opção "baixar".

Às vezes não funciona de cara. Não desista que o curso acabará sendo baixado e aparecerá o disco verde com a seta quebrada informando o sucesso do download.

Depois é só aproveitar os tempos vagos nos engarrafamentos, nas salas de espera.

Observação final: é só usar o aplicativo no telefone com Wifi que ele sincroniza automaticamente com a página, o que é importante para não se perder as informações sobre o progresso, acertos e erros.

segunda-feira, 5 de outubro de 2015

Estados Unidos assassinam Médicos Sem Fronteiras

Paulo Werneck

O QUE O PRÊMIO NOBEL DA PAZ SR. BARACK OBAMA, COMANDANTE EM CHEFE DA USAF, TEM A DIZER?

Hospital dos Médicos sem Fronteiras foi bombardeada pelos a viões americanos ou liderados pelos amercinos. Podemos ler o blá-blá-blá dos assassinos e seus cúmplices, mas não poderão esconder o essencial: mesmo na brutalidade da guerra existem leis, a Convenção de Genebra, que impedem ataques a hospitais, ambulâncias, etc. Não é por outro motivo que a cruz vermelha é pintada tão grande e tão visível nas ambulâncias. Hoje, com GPS e tanta tecnologia, não dá para desculpar bombardeio de hospitais.

Transcrevo abaixo nota dos Médicos Sem Fronteiras, e aproveito para sugerir ao leitor que faça doações para a organização, não em desagravo a esse ato estarrecedor, mas para apoiar o excelente trabalho da organização no mundo inteiro. Eis a nota:

É com profunda tristeza que a organização humanitária internacional Médicos Sem Fronteiras (MSF) confirma, até o momento, a morte de nove de seus profissionais e sete pacientes da unidade de terapia intensiva durante o bombardeio, iniciado às 2h10 deste sábado, 3 de outubro, ao hospital de MSF em Kunduz, no Afeganistão. Segundo as últimas informações, 37 pessoas foram gravemente feridas durante o bombardeio; dessas, 19 são profissionais de MSF. Alguns dos pacientes mais gravemente feridos estão sendo transferidos para estabilização em um hospital em Puli Khumri, que fica a duas horas de carro de Kunduz. Há muitos pacientes e profissionais que permanecem desaparecidos. Os números continuam aumentando na medida em que apuramos as consequências desse bombardeio terrível.

MSF condena fortemente o ato contra seu hospital em Kunduz que estava lotado de profissionais e de pacientes. MSF esclarece que todas as partes em conflito, incluindo em Cabul e em Washington, foram claramente informadas sobre a localização precisa (coordenadas geográficas) das instalações da organização – hospital, dormitório dos profissionais, escritório e uma unidade de estabilização ambulatorial em Chardara (no noroeste de Kunduz). Como MSF faz em todos os contextos de conflitos armados, essas localizações precisas foram comunidas a todas as partes beligerantes em diversas ocasiões ao longo dos últimos meses, mais recentemente em 29 de setembro.

O bombardeio durou mais de 30 minutos após oficiais militares americanos e afegãos em Cabul e em Washington serem primeiramente informados sobre o ataque. MSF busca urgentemente esclarecer exatamente o que houve e como esse evento terrível pode ter acontecido.

“Estamos profundamente chocados com o ataque, a morte de nossos profissionais e pacientes e as duras consequências que ele infligiu sobre os cuidados de saúde em Kunduz”, diz Bart Janssens, diretor de operações de MSF. “Ainda não temos os dados finais acerca das mortes, mas nossa equipe médica está prestando primeiros-socorros e tratando os pacientes e os profissionais de MSF feridos, além de buscar os desaparecidos. Nós fazemos um apelo a todas as partes em conflito que respeitem a segurança dos profissionais e das instalações de saúde.”

Desde que confrontos eclodiram na segunda-feira, 28 de setembro, MSF tratou 394 feridos. Quando o ataque aéreo aconteceu, tínhamos 105 pacientes e seus acompanhantes no hospital, e mais de 80 profissionais nacionais e internacionais de MSF presentes.

O hospital de MSF em Kunduz é a única instalação do tipo em toda a região nordeste do Afeganistão, oferecendo cuidados de trauma vitais. Os médicos de MSF tratam todas as pessoas de acordo com suas necessidades médicas e não fazem distinção com base em etnia, religião ou filiação política.

O MSF começou a atuar no Afeganistão em 1980. Em Kunduz, assim como no restante do país, o pessoal internacional trabalha junto ao nacional para garantir a melhor qualidade de tratamento. MSF apoia o Ministério da Saúde no hospital de Ahmad Sha Baba, no leste de Cabul, na maternidade de Dasht-e-Barchi, no oeste de Cabul, e no hospital de Boost, em Lashkar Gah, na província de Helmand. Em Khost, no leste do país, MSF opera um hospital-maternidade. A organização conta apenas com financiamento privado para a realização de seu trabalho no Afeganistão e não aceita recursos de nenhum governo.

Informações atualizadas em 03/10/2015, às 11h20

Fontes:
Médicos Sem Fronteiras:
http://www.msf.org.br
New York Times:
http://www.nytimes.com/2015/10/04/world/asia/afghanistan-bombing-hospital-doctors-without-borders-kunduz.html?_r=0
La Reppublica:
http://www.repubblica.it/esteri/2015/10/03/news/afghanistan_nato_forse_colpito_ospedale_di_medici_senza_frontiere_kunduz_3_morti-124207433/
BBC:
http://www.bbc.com/news/world-asia-34432471
The Guardian:
http://www.theguardian.com/world/2015/oct/03/kunduz-charity-hospital-bombing-violates-international-law

quarta-feira, 12 de agosto de 2015

Oi, foi mal!

Paulo Werneck
Dia do papai, ganho um celular bodoso dos meus filhos, preocupados com a minha desconexão com o terceiro milênio. Meu ex-celular atual não chama táxi, não zapzap, não... Mas o novo celular, se é que se pode chamar assim algo tão recheado de recursos, precisa de um chip pequenino, o que me obrigou a fazer um programa de índio, qual seja, ir a uma loja da Oi.Munido do maior estoque de paciência, fui à loja da Oi no Shopping Leblon, esperando que a sofisticação do referido centro comercial, se é que um centro comercial pode ser sofisticado, tivesse passado para a referida loja e o atendimento fosse pelo menos sofrível.

Primeiro problema: foi necessário retirar uma senha, cujas opções não eram atendimento e atendimento prioritário, mas diversos tipos de atendimento, o que fez com que eu esperasse tempo suficiente para parecer que pessoas que chegaram depois tenham sido atendidas antes, por terem escolhido um atendimento diferente do meu, embora os atendentes fossem generalistas e atendessem todos os tipos de clientes, ou tal me pareceu.

Paciência. Eu estava em uma loja de telefonia, o que no Brasil que dizer serviço sofrível, seja qual for a operadora, e estou tentando ser gentil...

Algumas páginas depois - não vou para esses locais sem um bom livro - sou finalmente atendido. Dez reais pelo novo chip, que demoraria cerca de 48 horas para ser conectado à rede (isso numa época em que se transfere bilhões instantaneamente de um país para outro com os mesmos computadores que demoram dois dias para reconhecer um chip), me sendo assegurado que o chip antigo do celular antigo continuaria funcionando até a entrada do novo. Beleza.

Com base numa revista - Bazar, mais Oi, mais vantagens - a quatro cores e vinte e seis páginas, que aproveitei para folhear, descobri que a minha atual conta - Oi Conta Total Light - me dava direito a Internet em casa - Velox - internet essa que  jamais foi instalada, e já nem me lembro há quanto tempo tempo tenho a conta.

A atendente, atenciosa, aproveitou para marcar a instalação. Agora passarei a ter dois serviços de internet em casa, de modo que espero não ficar sem acesso, a chance dos dois provedores caírem ao mesmo tempo espero ser baixa.

Depois de repetir não me lembro quantas vezes quais os meus telefones de contato - afinal os sistemas da Oi não se falam e ela fica sem saber quais os telefones que ela me fornece - saí da loja com o dever comprido, prestes a entrar numa nova fase de conexão com o mundo, e ainda com uma reserva de paciência, o que me obrigou a ir comemorar comendo algo em outro estabelecimento do dito cujo shopping, um tal de Fifties, um bar especializado em hambúrgueres que estranhamente caiu na minha predileção.

Paga a conta, resolvo telefonar. Será que o novo chip já entrou, apesar de só ter se passado meia hora? Não. Era de se esperar. Pego então o outro aparelho, declarado obsoleto pelos meus filhos, e nada. Niente. Nihil. Necas de pitibiribas. Estava a nocaute. Havia parado de funcionar!

Como diriam os yankees, shit happens. Volto à loja. Vou direto ao balcão e esclareço que o telefone deixou de funcionar. O funcionário diz que eu tenho que pegar a senha. Insisto: já peguei a senha, já esperei um século, já fui atendido, mas algo se passou e não tem sentido eu entrar outra vez na fila. O funcionário faz cara de peixe morto, entendo que está resolvido, aguardo.

Uma atendente chama um número, é claro que não sou eu, me levanto, peço o gerente, ela pergunta porque, eu explico rapidamente, o senhor chamado fica desconcertado, eu esclareço que ele não está furando nenhuma fila, que seja atendido, e finalmente ela aponta para o gerente.

Falo com ele - que inclusive assessorou a funcionária que tinha me atendido antes e me explicou que me perguntarem os telefones de contato devia-se aos sistemas não se falarem - e ele ratifica que eu tenho que pegar outra senha, esperar infindável tempo, porque é necessário entrar no sistema para ver o que aconteceu. Nem um "foi mal"...

Reclamo, agora, sem nenhuma paciência, ele fica irredutível, saio da loja reclamando da Oi, e vou à porta fotografar a fachada, pura intuição ou reflexo, talvez fosse necessário para alguma coisa. Nesse momento o referido gerente sai da loja, sei lá para que, deixando de ter acessado um dos inúmeros computadores disponíveis (só dois estavam ocupados, pelo menos quatro desocupados), garantindo mais uma insatisfação.

Não sei para que tanta propaganda, se não conseguem resolver um caso tão simples. E não adianta mudar de operadora, pois são todas ruins. Também não adianta adianta culpar a Dilma, esporte nacional da direita, ela não tem nada com isso, e nem foi ela quem privatizou a telefonia no país. Talvez eu deva reclamar com o bispo...

quinta-feira, 23 de abril de 2015

Terceirização

Paulo Werneck

Após cerrada campanha pela destruição do PT, levada a cabo por tantas airosas pessoas, já podemos contar com duas vitórias.

A primeira, não completa. Foram aumentadas as verbas dos ínclitos parlamentares, mas ficaram de fora as passagens para que suas esposas os pudessem acompanhar às lides em Brasília às custas da varonil população. Pessoas de baixo entendimento, que não percebem a beleza do amor, associaram tal medida a benefícios indevidos, e os nobres deputados renunciaram a tão salutar medida, que lhes permitiria repousar no seio da família após tão estafante trabalho em prol da Nação.

A segunda, maravilhosa. A vetusta legislação trabalhista começou finalmente a ser eliminada. Nada de proteger esses mandriões que se fazem passar por trabalhadores. O Brasil precisa crescer, premiando cada vez mais os melhores da raça.

Está de parabens o Congresso. Apesar da oposição dos petralhas e dos comunas, a modernidade está chegando e em breve a carteira de trabalho será objeto de museu. Não custa sonhar, mas poderia ser revogada a Lei Áurea, que tantos males trouxe ao país, assinada por aquela protopetralha travestida de princesa.

Eu, todavia, conservador que sou, continuo petralha.

Um abraço de um perdedor. Aos vencedores, as batatas.

Em tempo, seguem abaixo duas tabelas. A primeira com as orientações partidárias e os respectivos votos, a segunda com os parlamentares e seus votos, por estado. Os dados são da CENIN - Coordenação do Sistema Eletrônico de Votação - da Câmara dos Deputados.

Partidos, suas orientações e respectivos votos
PartidoPosiçãoVotantesSimNãoAbst.
DEMSim161240
PCdoBNão120120
PDTNão192170
PENSim2110
PHSSim4220
PMDB Sim6249130
PMNNão3120
PPSim312830
PPSSim11650
PRLiberado2917111
PRBNão12552
PROSNão11290
PRPNão2020
PRTBNão1010
PSBNão2913160
PSCSim10640
PSDLiberado282161
PSDBSim4333100
PSDCNão2200
PSOLNão5050
PTNão580580
PTBSim211380
PTCNão2020
PTNNão4220
PVNão8620
SolidariedSim131030

Parlamentares, por estado, em ordem alfabética.
AC, Alan Rick , PRB , Sim
AC, Angelim , PT , Não
AC, César Messias , PSB , Sim
AC, Flaviano Melo , PMDB , Sim
AC, Jéssica Sales , PMDB , Sim
AC, Leo de Brito , PT , Não
AC, Rocha , PSDB , Não
AC, Sibá Machado , PT , Não
AL, Arthur Lira , PP , Sim
AL, Cícero Almeida , PRTB , Não
AL, Givaldo Carimbão , PROS , Não
AL, JHC , Solidaried , Não
AL, Marx Beltrão , PMDB , Não
AL, Maurício Quintella Lessa , PR , Sim
AL, Paulão , PT , Não
AL, Pedro Vilela , PSDB , Sim
AL, Ronaldo Lessa , PDT , Não
AM, Alfredo Nascimento , PR , Não
AM, Arthur Virgílio Bisneto , PSDB , Sim
AM, Átila Lins , PSD , Sim
AM, Conceição Sampaio , PP , Não
AM, Hissa Abrahão , PPS , Não
AM, Marcos Rotta , PMDB , Sim
AM, Silas Câmara , PSD , Sim
AP, André Abdon , PRB , Não
AP, Cabuçu Borges , PMDB , Sim
AP, Janete Capiberibe , PSB , Não
AP, Jozi Rocha , PTB , Sim
AP, Marcos Reategui , PSC , Não
AP, Professora Marcivania , PT , Não
AP, Roberto Góes , PDT , Não
BA, Afonso Florence , PT , Não
BA, Alice Portugal , PCdoB , Não
BA, Antonio Brito , PTB , Sim
BA, Antonio Imbassahy , PSDB , Sim
BA, Arthur Oliveira Maia , Solidaried , Sim
BA, Bacelar , PTN , Não
BA, Bebeto , PSB , Não
BA, Cacá Leão , PP , Sim
BA, Caetano , PT , Não
BA, Claudio Cajado , DEM , Sim
BA, Daniel Almeida , PCdoB , Não
BA, Davidson Magalhães , PCdoB , Não
BA, Elmar Nascimento , DEM , Não
BA, Erivelton Santana , PSC , Não
BA, Félix Mendonça Júnior , PDT , Sim
BA, Fernando Torres , PSD , Não
BA, Irmão Lazaro , PSC , Não
BA, João Carlos Bacelar , PR , Sim
BA, José Carlos Aleluia , DEM , Sim
BA, José Carlos Araújo , PSD , Sim
BA, José Rocha , PR , Não
BA, Mário Negromonte Jr. , PP , Sim
BA, Moema Gramacho , PT , Não
BA, Paulo Azi , DEM , Sim
BA, Paulo Magalhães , PSD , Não
BA, Roberto Britto , PP , Sim
BA, Ronaldo Carletto , PP , Sim
BA, Uldurico Junior , PTC, Não
BA, Valmir Assunção , PT , Não
BA, Waldenor Pereira , PT , Não
CE, Adail Carneiro , PHS , Não
CE, André Figueiredo , PDT , Não
CE, Aníbal Gomes , PMDB , Sim
CE, Antonio Balhmann , PROS , Sim
CE, Arnon Bezerra , PTB , Sim
CE, Cabo Sabino , PR , Não
CE, Danilo Forte , PMDB , Sim
CE, Domingos Neto , PROS , Não
CE, Genecias Noronha , Solidaried , Sim
CE, Gorete Pereira , PR , Sim
CE, José Airton Cirilo , PT , Não
CE, José Guimarães , PT , Não
CE, Leônidas Cristino , PROS , Não
CE, Luizianne Lins , PT , Não
CE, Moroni Torgan , DEM , Não
CE, Moses Rodrigues , PPS , Não
CE, Raimundo Gomes de Matos , PSDB , Não
CE, Ronaldo Martins , PRB , Abstenção
DF, Augusto Carvalho , Solidaried , Não
DF, Erika Kokay , PT , Não
DF, Izalci , PSDB , Sim
DF, Laerte Bessa , PR , Sim
DF, Rogério Rosso , PSD , Abstenção
DF, Ronaldo Fonseca , PROS , Sim
DF, Roney Nemer , PMDB , Não
ES, Carlos Manato , Solidaried , Sim
ES, Dr. Jorge Silva , PROS , Não
ES, Evair de Melo , PV , Sim
ES, Givaldo Vieira , PT , Não
ES, Helder Salomão , PT , Não
ES, Lelo Coimbra , PMDB , Sim
ES, Marcus Vicente , PP , Sim
ES, Max Filho , PSDB , Não
ES, Paulo Foletto , PSB , Sim
ES, Sergio Vidigal , PDT , Não
GO, Alexandre Baldy , PSDB , Sim
GO, Célio Silveira , PSDB , Sim
GO, Daniel Vilela , PMDB , Sim
GO, Delegado Waldir , PSDB , Não
GO, Fábio Sousa , PSDB , Sim
GO, Flávia Morais , PDT , Não
GO, Giuseppe Vecci , PSDB , Sim
GO, Heuler Cruvinel , PSD , Sim
GO, Jovair Arantes , PTB , Sim
GO, Lucas Vergilio , Solidaried , Sim
GO, Magda Mofatto , PR , Sim
GO, Marcos Abrão , PPS , Sim
GO, Pedro Chaves , PMDB , Sim
GO, Roberto Balestra , PP , Sim
GO, Rubens Otoni , PT , Não
GO, Sandes Júnior , PP , Sim
MA, Alberto Filho , PMDB , Sim
MA, Aluisio Mendes , PSDC , Sim
MA, André Fufuca , PEN , Sim
MA, Cleber Verde , PRB , Não
MA, Eliziane Gama , PPS , Não
MA, Hildo Rocha , PMDB , Não
MA, João Castelo , PSDB , Sim
MA, João Marcelo Souza , PMDB , Sim
MA, José Reinaldo , PSB , Sim
MA, Junior Marreca , PEN , Não
MA, Pedro Fernandes , PTB , Não
MA, Rubens Pereira Júnior , PCdoB , Não
MA, Sarney Filho , PV , Não
MA, Victor Mendes , PV , Sim
MA, Weverton Rocha , PDT , Não
MA, Zé Carlos , PT , Não
MG, Adelmo Carneiro Leão , PT , Não
MG, Ademir Camilo , PROS , Não
MG, Bilac Pinto , PR , Sim
MG, Bonifácio de Andrada , PSDB , Sim
MG, Brunny , PTC, Não
MG, Caio Narcio , PSDB , Sim
MG, Carlos Melles , DEM , Sim
MG, Dâmina Pereira , PMN , Sim
MG, Delegado Edson Moreira , PTN , Sim
MG, Dimas Fabiano , PP , Sim
MG, Domingos Sávio , PSDB , Sim
MG, Eduardo Barbosa , PSDB , Sim
MG, Eros Biondini , PTB , Não
MG, Fábio Ramalho , PV , Sim
MG, Gabriel Guimarães , PT , Não
MG, Jaime Martins , PSD , Sim
MG, Jô Moraes , PCdoB , Não
MG, Júlio Delgado , PSB , Sim
MG, Laudivio Carvalho , PMDB , Não
MG, Leonardo Monteiro , PT , Não
MG, Leonardo Quintão , PMDB , Sim
MG, Lincoln Portela , PR , Não
MG, Luiz Fernando Faria , PP , Sim
MG, Marcelo Álvaro Antônio , PRP , Não
MG, Marcelo Aro , PHS , Sim
MG, Marcos Montes , PSD , Sim
MG, Marcus Pestana , PSDB , Sim
MG, Margarida Salomão , PT , Não
MG, Mário Heringer , PDT , Sim
MG, Mauro Lopes , PMDB , Sim
MG, Newton Cardoso Jr , PMDB , Sim
MG, Odelmo Leão , PP , Sim
MG, Paulo Abi-Ackel , PSDB , Sim
MG, Raquel Muniz , PSC , Sim
MG, Reginaldo Lopes , PT , Não
MG, Rodrigo Pacheco , PMDB , Não
MG, Saraiva Felipe , PMDB , Sim
MG, Silas Brasileiro , PMDB , Sim
MG, Stefano Aguiar , PSB , Não
MG, Subtenente Gonzaga , PDT , Não
MG, Tenente Lúcio , PSB , Sim
MG, Wadson Ribeiro , PCdoB , Não
MG, Weliton Prado , PT , Não
MG, Zé Silva , Solidaried , Sim
MS, Carlos Marun , PMDB , Sim
MS, Dagoberto , PDT , Não
MS, Elizeu Dionizio , Solidaried , Sim
MS, Geraldo Resende , PMDB , Sim
MS, Mandetta , DEM , Não
MS, Tereza Cristina , PSB , Sim
MS, Vander Loubet , PT , Não
MS, Zeca do Pt , PT , Não
MT, Adilton Sachetti , PSB , Sim
MT, Carlos Bezerra , PMDB , Sim
MT, Ezequiel Fonseca , PP , Sim
MT, Fabio Garcia , PSB , Sim
MT, Nilson Leitão , PSDB , Sim
MT, Professor Victório Galli , PSC , Sim
MT, Ságuas Moraes , PT , Não
MT, Valtenir Pereira , PROS , Não
PA, Arnaldo Jordy , PPS , Não
PA, Beto Faro , PT , Não
PA, Beto Salame , PROS , Não
PA, Delegado Éder Mauro , PSD , Não
PA, Edmilson Rodrigues , PSOL , Não
PA, Francisco Chapadinha , PSD , Sim
PA, Hélio Leite , DEM , Sim
PA, Joaquim Passarinho , PSD , Sim
PA, José Priante , PMDB , Sim
PA, Josué Bengtson , PTB , Sim
PA, Júlia Marinho , PSC , Sim
PA, Lúcio Vale , PR , Sim
PA, Nilson Pinto , PSDB , Sim
PA, Simone Morgado , PMDB , Não
PA, Zé Geraldo , PT , Não
PB, Benjamin Maranhão , Solidaried , Sim
PB, Damião Feliciano , PDT , Não
PB, Hugo Motta , PMDB , Sim
PB, Luiz Couto , PT , Não
PB, Manoel Junior , PMDB , Sim
PB, Pedro Cunha Lima , PSDB , Não
PB, Rômulo Gouveia , PSD , Sim
PB, Veneziano Vital do Rêgo , PMDB , Não
PB, Wellington Roberto , PR , Não
PB, Wilson Filho , PTB , Não
PE, Anderson Ferreira , PR , Não
PE, Augusto Coutinho , Solidaried , Sim
PE, Betinho Gomes , PSDB , Não
PE, Bruno Araújo , PSDB , Sim
PE, Carlos Eduardo Cadoca , PCdoB , Não
PE, Daniel Coelho , PSDB , Não
PE, Eduardo da Fonte , PP , Sim
PE, Fernando Coelho Filho , PSB , Sim
PE, Fernando Monteiro , PP , Sim
PE, Gonzaga Patriota , PSB , Não
PE, Jarbas Vasconcelos , PMDB , Não
PE, João Fernando Coutinho , PSB , Não
PE, Jorge Côrte Real , PTB , Sim
PE, Kaio Maniçoba , PHS , Sim
PE, Luciana Santos , PCdoB , Não
PE, Mendonça Filho , DEM , Sim
PE, Raul Jungmann , PPS , Não
PE, Ricardo Teobaldo , PTB , Não
PE, Silvio Costa , PSC , Sim
PE, Tadeu Alencar , PSB , Não
PE, Wolney Queiroz , PDT , Não
PE, Zeca Cavalcanti , PTB , Não
PI, Assis Carvalho , PT , Não
PI, Átila Lira , PSB , Não
PI, Heráclito Fortes , PSB , Sim
PI, Iracema Portella , PP , Sim
PI, Júlio Cesar , PSD , Não
PI, Marcelo Castro , PMDB , Sim
PI, Merlong Solano , PT , Não
PI, Rodrigo Martins , PSB , Não
PI, Silas Freire , PR , Não
PR, Alex Canziani , PTB , Sim
PR, Alfredo Kaefer , PSDB , Sim
PR, Aliel Machado , PCdoB , Não
PR, Assis do Couto , PT , Não
PR, Christiane de Souza Yared , PTN , Não
PR, Diego Garcia , PHS , Não
PR, Dilceu Sperafico , PP , Sim
PR, Enio Verri , PT , Não
PR, Evandro Rogerio Roman , PSD , Sim
PR, Giacobo , PR , Sim
PR, Hermes Parcianello , PMDB , Não
PR, João Arruda , PMDB , Não
PR, Leandre , PV , Sim
PR, Leopoldo Meyer , PSB , Sim
PR, Luciano Ducci , PSB , Não
PR, Luiz Carlos Hauly , PSDB , Sim
PR, Marcelo Belinati , PP , Não
PR, Nelson Meurer , PP , Não
PR, Osmar Bertoldi , DEM , Sim
PR, Osmar Serraglio , PMDB , Sim
PR, Ricardo Barros , PP , Sim
PR, Rubens Bueno , PPS , Sim
PR, Sandro Alex , PPS , Sim
PR, Sergio Souza , PMDB , Sim
RJ, Alessandro Molon , PT , Não
RJ, Alexandre Serfiotis , PSD , Não
RJ, Alexandre Valle , PRP , Não
RJ, Altineu Côrtes , PR , Sim
RJ, Benedita da Silva , PT , Não
RJ, Cabo Daciolo , PSOL , Não
RJ, Celso Jacob , PMDB , Sim
RJ, Celso Pansera , PMDB , Sim
RJ, Chico Alencar , PSOL , Não
RJ, Chico D Angelo , PT , Não
RJ, Clarissa Garotinho , PR , Não
RJ, Cristiane Brasil , PTB , Sim
RJ, Deley , PTB , Não
RJ, Dr. João , PR , Sim
RJ, Eduardo Cunha , PMDB , Art. 17
RJ, Fabiano Horta , PT , Não
RJ, Felipe Bornier , PSD , Sim
RJ, Fernando Jordão , PMDB , Sim
RJ, Francisco Floriano , PR , Não
RJ, Glauber Braga , PSB , Não
RJ, Indio da Costa , PSD , Sim
RJ, Jandira Feghali , PCdoB , Não
RJ, Jean Wyllys , PSOL , Não
RJ, Julio Lopes , PP , Sim
RJ, Leonardo Picciani , PMDB , Sim
RJ, Luiz Carlos Ramos , PSDC , Sim
RJ, Luiz Sérgio , PT , Não
RJ, Marcelo Matos , PDT , Não
RJ, Marquinho Mendes , PMDB , Sim
RJ, Miro Teixeira , PROS , Não
RJ, Otavio Leite , PSDB , Sim
RJ, Paulo Feijó , PR , Sim
RJ, Soraya Santos , PMDB , Sim
RJ, Sóstenes Cavalcante , PSD , Sim
RJ, Walney Rocha , PTB , Sim
RJ, Washington Reis , PMDB , Sim
RN, Antônio Jácome , PMN , Não
RN, Beto Rosado , PP , Sim
RN, Fábio Faria , PSD , Sim
RN, Rafael Motta , PROS , Não
RN, Rogério Marinho , PSDB , Sim
RN, Walter Alves , PMDB , Sim
RN, Zenaide Maia , PR , Não
RO, Expedito Netto , Solidaried , Não
RO, Lindomar Garçon , PMDB , Sim
RO, Lucio Mosquini , PMDB , Sim
RO, Luiz Cláudio , PR , Abstenção
RO, Marcos Rogério , PDT , Não
RO, Marinha Raupp , PMDB , Sim
RO, Nilton Capixaba , PTB , Sim
RR, Abel Mesquita Jr. , PDT , Não
RR, Edio Lopes , PMDB , Sim
RR, Hiran Gonçalves , PMN , Não
RR, Jhonatan de Jesus , PRB , Abstenção
RR, Maria Helena , PSB , Não
RR, Remídio Monai , PR , Sim
RR, Shéridan , PSDB , Sim
RS, Afonso Hamm , PP , Sim
RS, Afonso Motta , PDT , Não
RS, Bohn Gass , PT , Não
RS, Covatti Filho , PP , Sim
RS, Danrlei de Deus Hinterholz , PSD , Não
RS, Darcísio Perondi , PMDB , Sim
RS, Fernando Marroni , PT , Não
RS, Giovani Cherini , PDT , Não
RS, Heitor Schuch , PSB , Não
RS, Jerônimo Goergen , PP , Sim
RS, João Derly , PCdoB , Não
RS, José Fogaça , PMDB , Sim
RS, José Otávio Germano , PP , Sim
RS, Jose Stédile , PSB , Não
RS, Luis Carlos Heinze , PP , Sim
RS, Luiz Carlos Busato , PTB , Sim
RS, Marco Maia , PT , Não
RS, Marcon , PT , Não
RS, Maria do Rosário , PT , Não
RS, Mauro Pereira , PMDB , Sim
RS, Nelson Marchezan Junior , PSDB , Sim
RS, Onyx Lorenzoni , DEM , Sim
RS, Osmar Terra , PMDB , Não
RS, Paulo Pimenta , PT , Não
RS, Pompeo de Mattos , PDT , Não
RS, Renato Molling , PP , Sim
RS, Ronaldo Nogueira , PTB , Não
RS, Sérgio Moraes , PTB , Sim
SC, Carmen Zanotto , PPS , Sim
SC, Celso Maldaner , PMDB , Sim
SC, Cesar Souza , PSD , Sim
SC, Décio Lima , PT , Não
SC, Edinho Bez , PMDB , Sim
SC, Esperidião Amin , PP , Sim
SC, Geovania de Sá , PSDB , Não
SC, João Rodrigues , PSD , Sim
SC, Jorginho Mello , PR , Sim
SC, Marco Tebaldi , PSDB , Sim
SC, Mauro Mariani , PMDB , Sim
SC, Pedro Uczai , PT , Não
SC, Rogério Peninha Mendonça , PMDB , Sim
SC, Ronaldo Benedet , PMDB , Sim
SC, Valdir Colatto , PMDB , Sim
SE, Andre Moura , PSC , Sim
SE, Fábio Mitidieri , PSD , Sim
SE, João Daniel , PT , Não
SE, Jony Marcos , PRB , Não
SE, Laercio Oliveira , Solidaried , Sim
SP, Alex Manente , PPS , Sim
SP, Alexandre Leite , DEM , Sim
SP, Ana Perugini , PT , Não
SP, Andres Sanchez , PT , Não
SP, Arlindo Chinaglia , PT , Não
SP, Arnaldo Faria de Sá , PTB , Não
SP, Baleia Rossi , PMDB , Sim
SP, Beto Mansur , PRB , Sim
SP, Bruna Furlan , PSDB , Sim
SP, Bruno Covas , PSDB , Sim
SP, Capitão Augusto , PR , Sim
SP, Carlos Sampaio , PSDB , Sim
SP, Carlos Zarattini , PT , Não
SP, Celso Russomanno , PRB , Não
SP, Dr. Sinval Malheiros , PV , Não
SP, Eduardo Bolsonaro , PSC , Sim
SP, Eduardo Cury , PSDB , Sim
SP, Eli Côrrea Filho , DEM , Sim
SP, Evandro Gussi , PV , Sim
SP, Fausto Pinato , PRB , Sim
SP, Flavinho , PSB , Não
SP, Goulart , PSD , Sim
SP, Herculano Passos , PSD , Sim
SP, Ivan Valente , PSOL , Não
SP, Jorge Tadeu Mudalen , DEM , Sim
SP, José Mentor , PT , Não
SP, Keiko Ota , PSB , Não
SP, Lobbe Neto , PSDB , Não
SP, Luiz Lauro Filho , PSB , Sim
SP, Luiza Erundina , PSB , Não
SP, Major Olimpio , PDT , Não
SP, Mara Gabrilli , PSDB , Não
SP, Marcelo Aguiar , DEM , Sim
SP, Marcelo Squassoni , PRB , Sim
SP, Marcio Alvino , PR , Sim
SP, Miguel Haddad , PSDB , Sim
SP, Miguel Lombardi , PR , Sim
SP, Milton Monti , PR , Sim
SP, Missionário José Olimpio , PP , Sim
SP, Nelson Marquezelli , PTB , Sim
SP, Nilto Tatto , PT , Não
SP, Orlando Silva , PCdoB, Não
SP, Paulo Pereira da Silva , Solidaried , Sim
SP, Paulo Teixeira , PT , Não
SP, Pr. Marco Feliciano , PSC , Não
SP, Renata Abreu , PTN , Sim
SP, Roberto Freire , PPS , Sim
SP, Samuel Moreira , PSDB , Sim
SP, Sérgio Reis , PRB , Não
SP, Silvio Torres , PSDB , Sim
SP, Tiririca , PR , Não
SP, Valmir Prascidelli , PT , Não
SP, Vicente Candido , PT , Não
SP, Vicentinho , PT , Não
SP, Vitor Lippi , PSDB , Sim
SP, Walter Ihoshi , PSD , Sim
SP, William Woo , PV , Sim
TO, Carlos Henrique Gaguim , PMDB , Sim
TO, César Halum , PRB , Sim
TO, Dulce Miranda , PMDB , Não
TO, Irajá Abreu , PSD , Sim
TO, Josi Nunes , PMDB , Não
TO, Lázaro Botelho , PP , Sim
TO, Professora Dorinha Seabra Rezende , DEM , Não
TO, Vicentinho Júnior , PSB , Sim

quarta-feira, 22 de abril de 2015

Notável Ignorância Jurídica

Paulo Werneck

Cabra Cega

Um ex-ministro do Supremo, Joaquim Barbosa, em palestra proferida em Nossa Senhora do Desterro (1), teria afirmado, segundo o pior jornal do país (2), que o governo mente ao dizer que combate a corrupção, pois quem cumpre este papel são a Polícia Federal, a Justiça e o Ministério Público Federal.

O país é governado pelos três poderes, Executivo, Legislativo e Judiciário. Cada um com uma atribuição específica, administrar, legislar e julgar, bem como limitar os excessos dos demais ramos, pelo uso dos freios e contrapesos, tais como a nomeação de ministro do Supremo ser feita pela presidência, dependendo da aprovação do Senado. Assim, num sentido lato, os três órgãos são do governo.

Mesmo que o ministro tenha se referido a governo no sentido estrito, poder executivo, deveria saber, por exemplo, que a Polícia Federal se chama Departamento da Polícia Federal, uma perna do Ministério da Justiça, órgão dito da "administração direta".

A seguir o raciocínio tortuoso do felizmente ex-ministro, o governo não arrecada nenhum tributo, pois isso quem faz é a Receita Federal, nem defende o país, pois são das Forças Armadas, nem...


-----
(1) Hoje Florianópolis.
(2) //oglobo.globo.com/brasil/joaquim-barbosa-diz-que-governo-mente-ao-afirmar-que-combate-corrupcao-15903239

sábado, 6 de dezembro de 2014

Diplomatas e diplomatas

Paulo Werneck

Há muito tempo pensei em comprar "Conversas com Jovens Diplomatas", do Celso Amorim, publicado pela Benvirá. O tamanho (600 páginas), combinado com a minha crônica falta de tempo, foi postergando a decisão, até que finalmente passei no caixa.

Comprei o livro porque admiro o diplomata, pela política que ele implantou no Itamaraty, pelo respeito internacional que o Itamaraty sob a liderança dele granjeou para o país.

É ótimo. Trata-se da transcrição editada de palestras que Amorim ministrou principalmente (talvez só, mas não cheguei ao fim do livro) no Instituto Rio Branco, nas quais ele aborda casos e explica as opções, as decisões, as consequências, de forma muito didática e clara. Assuntos tão diversos como o apoio ao Haiti, negociações comerciais, criação de organismos internacionais.

Recomendo para todos aqueles que têm interesse em Relações Internacionais ou Comércio Exterior, gostem ou não gostem do Amorim, concordem ou não com a política do PT nessa área.

By the way, há anos comprei um livro, "Bastidores da Diplomacia: o Bife de Zinco e Outras Histórias", do embaixador Guilherme Luiz Leite Ribeiro, que apresenta uma visão interessante do dia a dia do diplomata.


Todavia, fiquei desapontado com esse livro. Apesar de mostrar de uma maneira muito direta como funciona o Itamaraty e contar histórias deliciosas, é um livro rancoroso, e o autor trata de modo deseducado e desrespeitoso o então presidente Lula no início do primeiro mandato, usando linguajar totalmente inadequado para um diplomata.

Além disso, uma grande diferença de objetivos, valores e métodos: Celso Amorim mostra como o Brasil ajudou o Haiti, já Guilherme Ribeiro como ajudou o chefe dos tonton macoutes a escapar da ira popular...

Há diplomatas e diplomatas.

terça-feira, 17 de junho de 2014

Estilos EPUB

Paulo Werneck

Biblioteca do Convento de Mafra
Fonte: Wiki

Em "Modo fácil de Criar EPUBs", foi apresentada uma receita de bolo de como converter arquivos ".doc" para ".epub", usando editor de textos e o programa gratuito Sigil. Agora será mostrado como criar os estilos no EPUB, completando a receita

Primeiro, utilizando o bloco de notas, criar o arquivo "pgepub.css", contendo o seguinte texto:
@charset "utf-8";
h1 
color: black;
margin: 1.4em 0 0.7em 0;
border-style: solid none solid none;
border-width: 5px;
padding: 10px 0 10px 0;
text-align: left;
line-height: 1.2em;
font-size: 1.4em;
font-style: normal;
font-weight: bold;
}
h2 {
color: black;
margin-top: 1.2em;
margin-bottom: 1.2em;
margin-left: 00%;
margin-right: 00%;
text-align: left;
line-height: 120%;
font-size: 1.2em;
font-style: normal;
font-weight: bold;
}
.nor {
color: black;
margin: 0.6em 00%;
text-align: justify;
text-indent: 0;
line-height: 120%;
font-size: 1.0em;
font-style: normal;
font-weight: normal;
}
.cit {
color: black;
margin: 0.6em 0% 0.6em 5%;
text-align: justify;
text-indent: 0;
line-height: 120%;
font-size: 1.0em;
font-style: normal;
font-weight: normal;
}

Depois, no Sigil, trocar o início do arquivo "Section0001.xhtml", até a linha contendo "</head>", inclusive, pelo seguinte texto:
<?xml version="1.0" encoding="utf-8" standalone="no"?>
<!DOCTYPE html PUBLIC "-//W3C//DTD XHTML 1.1//EN"
"http://www.w3.org/TR/xhtml11/DTD/xhtml11.dtd">
<html xmlns="http://www.w3.org/1999/xhtml">
<head>
<link href="../Styles/pgepub.css" rel="stylesheet" type="text/css" />
</head>
Finalmente, no Sigil, clicar com o botão direito o ícone Styles (na janela Navegador), e selecionar "Acrescentar arquivo existente...". Na janela que se abrir, marcar o arquivo "pgepub.css" recém criado.
Salvar o arquivo EPUB, e pronto. Pode levá-lo para o Kobo (ou outro leitor) ou mesmo lê-lo no PC, como o próprio Sigil ou outro leitor.

As definições constantes do "pgepub.css" estão em "CSS", Cascading Style Sheets, outra linguagem de programação, assim como o XHTML, EXtensible HyperText Markup Language

Ótimos tutoriais sobre essas duas linguagens podem ser encontrados em "www.w3schools.com".

Modo fácil de Criar EPUBs

Paulo Werneck

Biblioteca da Universidade de Coimbra
Fonte: Wiki

Há pouco tempo adquiri um Kobo na Livraria Cultura. Minha intenção era reduzir o peso nas viagens e no dia-a-dia, pois costumo ler em ônibus. Fora isso, continuo adicto a livro em papel...

A escolha do Kobo levou em conta a presença de uma loja física no Brasil, e o formato aberto do - EPUB - pois tenho alergia grave a formatos proprietários.

Depois de começar a usar o aparelho, me veio a vontade de ler no Kobo textos disponíveis na Internet em outros formatos, como DOC, TXT e PDF.

Procurei softares 0800 para conversão, mas são complicados, e os comentários apontam para textos deixando a desejar, com lixo embutido.

Desenvolvi um método usando processador de texto para fazer a conversão, de uma maneira manual, mas simples e rápida. Ferramentas necessárias: processador de texto e editor de epub. Usei o Word e o Sigil.

No processador, edito o texto, de forma simples mas usando exclusivamente estilos do editor, poucos. Nada de formatação caso a caso. Neste exemplo, quatro estilos: Título 1, Título 2, Normal e Citação. Podem ser mais, ou menos, a gosto do freguês e conforme as necessidades do texto. Mas que sejam reduzidas ao mínimo. Seja o texto já formatado:
Título
Blá blá blá, patati patatá.
Depois é começar o troca troca. Usando o "Replace", trocar "^p" (fim de parágrafo) por "</p>^p<p>". Depois inserir "<p>" no início da primeira linha e "</p>" ao final da última. As linhas ficarão com a seguinte aparência:
<p>Título</p>
<p>Blá blá blá, patati patatá.</p>
As marcas inseridas indicam início e fim de parágrafo no formato EPUB, que utiliza a notação XHTML. Mas o leitor não precisa saber disso...

Depois deve-se inserir os estilos no texto convertido, começando pelos títulos. Trocar "p>" por "h1>", se o estilo for "Título 1". No Word, na caixa do "replace" marca-se o botão "format", depois "style" e finalmente seleciona-se o estilo "Heading 1". O texto ficará como:
<h1>Título</h1>
<p>Blá blá blá, patati patatá.</p>
Repete-se o processo para os demais títulos, com o algarismo correspondente.

Em seguida, as conversões referentes aos estilos dos textos. Trocar "<p>" por "<p class="nor"> se o estilo for Normal; por "<p class="cit">, se Citação, e assim por diante, uma vez para cada estilo utilizado no documento. O texto ficará:
<h1>Título</h1>
<p class="nor">Blá blá blá, patati patatá.</p>
As expressões "nor" e "cit", são da livre escolha do usuário, diferentemente de "p", "h1" e "h2", que são definidas pela linguagem XHTML.

Agora é necessário abrir o programa Sigil, copiar o texto do Word e colar no arquivo "Section0001.xhtml", entre <body> e </body>, substituindo o texto <p>&#160;</p> preexistente. Feito isso, salvar o arquivo com o nome desejado (Arquivo > Salvar Como).

Na postagem "Estilos Epub", uma receita de bolo e algumas dicas para formatar os estilos no Epub.

sábado, 14 de junho de 2014

Educação Boa e Barata

Paulo Werneck

Iluminura do Codex Manesse
Fonte: Wiki

Este é um mundo cheio de contradições. Às vezes sinto que quero abandonar o barco, tamanha a mediocridade imperante, pós doutores deitando falação sem sentido, defensores do ensino público de qualidade alérgicos ao estudo, e que tais. Mas, por outro lado, não deixo de me surpreender com possibilidades impensáveis há pouco tempo.

Os cursos à distância, não poucas vezes muito criticados, é um desses casos que me maravilham. Começarei amanhã a estudar história medieval de graça, junto com mais de oito mil colegas de 132 países diferentes, num curso totalmente gratuito oferecido pela Universidade de Colorado (acesso por Coursera, endereço abaixo).

É um exemplo. Estudei a alta idade média por Yale, estou estudando história do capitalismo americano, um curso bastante denso, por Cornell. Também estou estudando a história do rock anglo-saxão por Rochester. Posso garantir que não me decepcionei com nenhum deles.

O problema, nesses cursos, é que são ministrados em Inglês. Para mim, está sendo até vantajoso, pois estava bem enferrujado, mas estou melhorando bastante.

Existem também cursos em outras línguas, até mandarim (quem se habilita?) e dos mais variados temas - administração, matemática, engenharia, informática, culinária - não faltam opções.

Até em português tem, sejam ministrados por instituições brasileiras, sejam legendados.

Os portais de entrada que já conheço são os seguintes:
www.edx.org
www.coursera.org
www.veduca.org
O interessado se cadastra nos portais, que dão acesso aos cursos. Não são sites com endereços, são efetivas portas de entrada.

Alguns cursos também são oferecidos na modalidade paga, para aqueles que queiram receber um certificado. Nesse caso o aluno não apenas paga pelo curso, mas também tem que fazer as provas e trabalhos exigidos, para ser aprovado. Não basta pagar.

Outras opções existem na Internet, como os cursos do Sebrae, mas nesses casos é necessário que o interessado acesse o próprio site de quem oferece o curso.

Bom estudo para todos.

Agradeço que quem encontre outro portal de qualidade, me passe o endereço para que esta postagem seja atualizada.

quinta-feira, 22 de maio de 2014

Arrogância, Ignorância e Desrespeito

Paulo Werneck

Um belo dia: assim começam as histórias, mas, nesta específica, o início é impróprio. Comecemos novamente.

Um mau dia, como fruto da aliança entre o Banco Itaú e a Prefeitura da Cidade do Rio de Janeiro, a Avenida Rui Barbosa foi espetada por um ponto de bicicletas.

Até aí nada de excepcional. Os cariocas já conhecem a iniciativa, em hipótese positiva, de serem colocadas bicicletas à disposição das pessoas, mesmo que apenas as pessoas digitalmente alfabetizadas e que possuem telefones com internet, porque esse é requisito sine qua non. Quem não tem telefone conectado na nuvem não pode usar as bicicletas.

Um outro problema é que as bicicletas podem ser utilizadas até as 22:00 horas mas não dispõem de faróis, itens obrigatórios pelo Código de Trânsito. Afinal de contas, qual o problema do prefeito tolerância zero fechar os olhos para essa ilegalidade? Bicicleta é tão cool, tão muderno...

Mas a questão, nesse caso, é outra. Vejamos a instalação:


Como podemos observar, apesar da largura da calçada, as bicicletas estão colocadas no asfalto, matando pelo menos duas vagas. Isso na frente do Parque Carmen Miranda, que dispõe de ampla área na entrada e vigilância dia e noite pela Guarda Municipal.

Alguma consulta à população? Claro que não. Porque cargas d'água o senhor prefeito iria se preocupar com os munícipes ou o Banco Itaú iria se preocupar com os clientes? Na rua faz mais propaganda...

Mas, infelizmente, não se trata apenas de duas vagas. Essas duas vagas estão nas proximidades do Hospital Fernandes Filgueiras, especializado em gestações complicadas e crianças com problemas sérios. Não é um hospital qualquer. É um hospital de referência que recebe gente de longe, todos os dias chegam ambulâncias ou vans com pacientes vindos de municípios distantes.


A segunda foto, tirada em dia de quase nenhum movimento, mostra o hospital à esquerda, uma ambulância verde ocupando a vaga reservada ao consulado da Bolívia, dois carros em fila dupla com as bicicletas, um de Saquarema. Em dias normais, estaríamos vendo duas ou três ambulâncias, outro tanto de vans, mas os carros particulares, grande parte velhos e caídos, trazendo os pacientes sabe-se lá de que cantão.

O telefone 1746 inicialmente tentou rebarbar a reclamação, dizendo que não era com eles. A reclamação deveria ser feita ao Itaú. Mas não foi possível resistir ao argumento de que a rua é da jurisdição da prefeitura, de modo que no dia 15 de maio foi protocolizada a reclamação número RIO-6347680-0, até agora sem resposta ou solução.

Quanto a mim, não tenho carro e, consequentemente, não preciso de vaga. Também não ando de bicicleta, veículo perigoso no trânsito desgovernado do Rio. Quanto à prefeitura e ao Itaú, carecem de respeito pelos munícipes e clientes, para não falar de inteligência, que passou ao largo...

sábado, 17 de maio de 2014

Gentrificação do Futebol

Paulo Werneck

Maracanã em 1950

Gentrificação é uma palavra esquisita, que eu não conhecia, e da qual só tomei conhecimento há pouco tempo. Para quem não sabe, gentrificação significa, segundo o Dicionário Priberam da Língua Portuguesa,
Processo de valorização imobiliária de uma zona urbana, geralmente acompanhada da deslocação dos residentes com menor poder econômico para outro local e da entrada de residentes com maior poder econômico.
Não posso literalmente falar de gentrificação do futebol, pois futebol não é imóvel, pelo contrário... Mas está ocorrendo o deslocamento de torcedores de menor poder econômico, substituídos torcedores de maior poder econômico ou, pior, por espectadores corporativos e lugares vazios.

A substituição por torcedores de maior poder econômico deve ser consequência direta da transformação do futebol em espetáculo e da maior profissionalização. Os jogadores no início eram amadores. Depois veio a profissionalização, e finalmente os salários milionários. Daí ao aumento do preço dos ingressos, as propagandas nos uniformes, os royalties pelo uso dos símbolos dos clubes. O aumento do preço dos ingressos expulsa os torcedores de baixa renda dos estádios.

Depois temos o padrão Fifa. No Maraca, na Copa de 1950, viram a derrota do Brasil para o Uruguai nada menos que 174.000 pessoas, segundo a Fifa, ou 199.854 espectadores, segundo O Globo. Hoje a capacidade do Maraca foi reduzida para 78.838, segundo o Consórcio Adminstrador, ou 73.531, segundo a Fifa. Se a Copa de 50 fosse hoje, no mínimo 100.000 pessoas ficariam de fora...

Finalmente, hoje uma parte dos ingressos não vão para os guichês, pois são comprados com antecedência pelas empresas patrocinadoras, que vão dar esses ingressos para quem bem entenderem, sejam clientes, fornecedores, sócios, funcionários, ou mesmo sorteá-los, como uma empresa multinacional de refrigerantes vai fazer. Será que os felizes ganhadores desses ingressos são efetivamente torcedores de futebol, será que sabem quais os uniformes dos times que entrarão em campo?

Com o afastamento dos verdadeiros torcedores dos estádios, agora denominados arenas (!!!), o que será do futebol?

segunda-feira, 12 de maio de 2014

Quem será o próximo presidente?

Paulo Werneck

Urna eleitoral antigamente usada na Noruega
Fonte: wiki

Aproximam-se as eleições e com elas voltam as papagaiadas de quem repete o que ouviu, não sabe nem de quem, mas repete com a maior autoridade, obtida na Universidade do "Eu Acho".

O achismo talvez seja a doença infantil da Democracia. O fato de haver Liberdade de Expressão - parágrafo IV do artigo 5º da Constituição Federal,
É livre a manifestação do pensamento, sendo vedado o anonimato;
não faz com que dois mais dois sejam cinco, só porque alguém acha que são... Mas estou divagando. Foco.

As papagaiadas a que me refiro dizem respeito aos votos nulos e em branco, que teriam o condão de deixar a classe política em cheque e melar as eleições. Nada mais longe da verdade.

Repito: Quem será o próximo presidente? A resposta é simples: quem obtiver metade mais um dos votos válidos, ou seja, sem contar brancos e nulos. Como descobri? Fácil: basta ler o parágrafo 2º do artigo 77 da Constituição:
Será considerado eleito presidente o candidato que, registrado por partido político, obtiver a maioria absoluta de votos, não computados os em branco e os nulos.
Ou seja, somam-se os votos de todos os candidatos e, se um deles obtiver mais da metade, está eleito. Daí a estratégia dos candidatos menos fortes de se unirem no ataque ao líder das pesquisas, fazendo uma certa aliança, esperando que todos juntos consigam suplantar o primeiro, levando a eleição para segundo turno, conforme o parágrafo 3º desse mesmo artigo:
Se nenhum candidato alcançar maioria absoluta na primeira votação, far-se-á nova eleição em até vinte dias após a proclamação do resultado, concorrendo os dois candidatos mais votados e considerando-se eleito aquele que obtiver a maioria dos votos válidos.
É uma aliança frágil, claro, pois só o segundo colocado vai para o segundo turno, e uma posição menos adversa talvez renda algum favor do vencedor... No segundo turno, todavia, é briga de foice, sem quartel.

Esse raciocínio também vale para as eleições para governadores e prefeitos, inclusive de municípios com menos de duzentos mil eleitores (Ac.-TSE, de 28.5.2013, no REspe nº 31696).

Se todos desejarem votar em branco, nenhum problema, meu voto solitário reelegerá a presidente...

Quanto às eleições proporcionais, para deputados federais, deputados estaduais e vereadores, os votos em branco e nulos também não contam, conforme o artigo 5º da Lei nº 9.504, de 30 de setembro de 1997:
Nas eleições proporcionais, contam-se como válidos apenas os votos dados a candidatos regularmente inscritos e às legendas partidárias.
Muito antigamente, ainda sob o tacão da ditadura de 64, dizia-se que os votos em branco eram atribuídos ao partido majoritário, na época a Arena, que depois virou PFL e agora se travestiu de DEM, não democratas, como querem se apresentar, mas demonios... Não verifiquei se a afirmação procede ou não.

Recentemente, todavia, os votos em branco eram considerados válidos, e por isso eram contados no cálculo do coeficiente eleitoral, que serve como barreira para os partidos menores. Um voto em branco, se dado por desalento com os partidos atuais, servia como elemento dificultador da entrada de novos partidos no cenário político.

Hoje, não, os votos em branco não são válidos e não servem para nada. Quanto aos nulos, aqueles que o próprio eleitor anulou, também não servem para coisa alguma. Uma eleição só é anulada se a vontade do conjunto dos eleitores for comprometida, o que fica para ser explicado em outra postagem.

O voto em branco - assim como o nulo - é apenas uma recusa do cidadão em escolher um candidato, uma espécie de cheque em branco para o restante da população, que imagino esse cidadão considere mais capaz do que ele para decidir os destinos de sua cidade, estado ou país.

sábado, 15 de março de 2014

Manual do Mau Jornalismo

Paulo Werneck

Há muito tempo não leio Veja, Globo, Folha e Estadão, dos quais, em épocas distintas, já fui assinante. Não os leio porque não tenho tempo para desperdiçar com textos desinformativos e mentirosos.

Não estou sozinho na avaliação, a ponto de ter sido cunhada uma abreviatura para designar essa imprensa, PIG, que significa Partido da Imprensa Golpista, mas que também é a palavra inglesa para porco.

Os que me conhecem sabem que compartilho de sonhos libertários, igualitários e solidários, o mote da Revolução Francesa - que mesmo assim cometeu o Terror, a Vendéia, se engoliu e pariu um imperador... Mas sonhos são sonhos e guiam nossos passos, enquanto a realidade às vezes deixa muito a desejar.

Da realidade, todavia, é que deveria tratar os jornais, deixando a opinião para os editoriais. Não é todavia a prática da "grande" imprensa brasileira.

Para não ficar no blá blá blá exemplificarei com uma matéria do "O Globo", intitulada "Voo baixo: Brasil tem a 7ª maior economia mas alta do PIB perde para emergentes": crescimento em 2013 só superou o da África do Sul e do México", publicada em 28 de fevereiro na página 29 da segunda edição.

O leitor desavisado já fica sabendo de cara que o Brasil está na sétima posição - o que não é novidade nem nada de tão importante assim, mas que cresceu muito pouco, perdendo para todo mundo, andando para trás.

A matéria também apresenta dois gráficos:


Logo no primeiro parágrafo sabemos que a matéria só se baseia em 25 países dos quase 200 atualmente existentes, ou seja, muito pouco para fazer generalizações.

Depois diz que o crescimento brasileiro só foi maior que o da África do Sul e do México, mas, consultando a tabela que é apresentada na mesma matéria, podemos ver que superou também os Estados Unidos, a França, o Reino Unido, a Alemanha.

O redator, não omite que está falando das economias emergentes dessa reduzida lista de 25 países, mas o leitor tem que estar atento e digerir palavra a palavra para não ficar com a impressão errada.

Todavia o FMI lista quase uma centena de países emergentes (World Economic Outlook, edição 2013). Assim a lista de emergentes considerada pela matéria está extremamente resumida.

A opinião de Alex Agostini, economista chefe da Austin Rating, que reconhece que o Brasil foi melhor que as grandes economias "que ainda se ressentem da crise".

Que crise? Algum tsunami, seca renitente, guerra? Não: crise provocada por eles mesmos, ao desregularem o mercado financeiro.

Os países desenvolvidos podem crescer pouco porque se enfiaram eles mesmos numa crise, mas o Brasil - entenda-se a Dilma, o PT - que se saiu airosamente da crise, apesar de sofrido a retração de parte considerável do seu mercado externo, tem voo baixo porque cresce menos que alguns países.

Assim se publicam dados verdadeiros, entremeado por omissões, destaques e comentários cuidadosamente selecionados, para levar o leitor apressado ou acrítico a partilhar a opinião que o dono do jornal quer ver espalhada na sociedade em apoio ao projeto político dele.

Por falar em firmas de avaliação de risco, vale lembrar que seis dias antes do colapso do Lehman Brothers a avaliação dele era AAA pela Standard & Poor's (S&P), e até a véspera pela Moody's. Enquanto isso, o Brasil que nunca deixou de pagar nada, é avaliado pela Austin Rating (quem?) como BBB...

Recolhi na Wikipedia as avaliações abaixo (List of countries by credit rating):

BrasilEstados Unidos
notaconceitonotaconceito
Standard & Poor'sBBBNegativeAA+Stable
Fitch RatingsBBBStableAAAWatch Negative
Moody'sBaa2PositiveAaaNegative
DBRSBBBStableAAAUnder Review, Negative
DagongA-NegativeA-Negative
JCRBBBStableAAAStable
China ChengxinBBBg+StableAAAgStable
Uma observação: a dívida pública brasileira alcança 45% do PIB, enquanto a americana está na casa dos 75%...